quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tropa de Elite, Música e Cinema

No dia 08 de outubro aconteceu a estréia nacional do filme brasileiro Tropa de Elite 2. Nesse filme, Wagner Moura retoma o personagem mais marcante de sua carreira, segundo o site oficial do filme, o capitão Nascimento, na seqüência de Tropa de Elite, filme também dirigido por José Padilha, ganhador do Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 2008. Em seu final de semana de estreia, o filme fez cerca de 1,25 milhão de espectadores, de acordo com dados divulgados por sua assessoria de imprensa.
Segundo o site de noticias Terra, a continuação do sucesso de 2007, dirigido por José Padilha, superou produções americanas, como Eclipse, Harry Potter, X-Men e a trilogia Era do Gelo. À frente do brasileiro, apenas produções como Homem-Aranha 3 e Lua Nova.
            Um dos fatores que gerou o sucesso do primeiro filme Tropa de Elite foi a trilha sonora, como a música do grupo Tihuana que apresenta o mesmo título do filme e também um funk que gerou muitas polêmicas: o Rap das Armas, de Mc Cidinho e Mc Doca.

Rap das Armas – Mc Cidinho e Mc Doca


Parapapapapapapapapapá!
Paparapaparapará clack bum
Parapapapapapapapapapá!
Morro do Dendê
É ruim de invadir
Nós com os Alemão
Vamos se divertir
Porque no Dendê
Eu vou dizer como é que é
Aqui não tem mole
Nem prá DRE
Pá subir aqui no morro
Até a B.O.P.E. treme
Não tem mole pro exército
Civil, nem prá PM
Eu dou o maior conceito
Para os amigos meus
Mas morro do Dendê
Também é terra de Deus
Fé em Deus!
DJ, Vamo lá!...
Vem um de AR 15
E outro de 12 na mão
Vem mais um de pistola
E outro com 2 oitão
Um vai de URU na frente
Escoltando o camburão
Tem mais dois na retaguarda
Mas tão de Glock na mão
Amigos que eu não esqueço
Nem deixo prá depois
Lá vem dois irmãozinho de 762
Dando tiro pro alto
Só prá fazer teste
De ina-ingratek pisto-uzi
Ou de winchester
É que eles são bandido ruim
E ninguém trabalha
De AK 47 na outra mão a metralha
Esse rap é maneiro
Eu digo prá vocês
Quem é aqueles cara de M 16?
A vizinhança dessa massa
Já diz que não agüenta
Na entrada da favela
Já tem ponto 50
E se tu toma um pá
Será que você grita
Seja de ponto 50
Ou então de ponto 30
Mas se for Alemão
Eu não deixo prá amanhã
Acabo com o safado
Dou-lhe um tiro de pazã
Porque esses Alemão
São tudo safado
Vem de garrucha velha
Dá 2 tiro e sai voado
E se não for de revólver
Eu quebro na porrada
E finalizo o rap
Detonando de granada...
Parapapapapapapapapá!
Valeu!
Papará papará papará clackbum!

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Link com o clipe da música:

            O funk no Rio de Janeiro, estado brasileiro onde o ritmo possui mais força, começou a ganhar energia a partir da década de 80. Sua influencia provem de um novo ritmo da Flórida, o Miami Bass, que trazia músicas mais erotizadas e batidas mais rápidas. As letras retratavam o cotidiano dos freqüentadores: abordavam a violência e a pobreza das favelas. Porém, ao mesmo tempo em que as músicas abordavam o cotidiano das classes baixas, alguns bailes começaram a ficar mais violentos e ser palco de "brigas de galeras", onde pessoas de dois lugares dividiam a pista em duas e quem ultrapassasse as fronteiras de um dos "lados", era agredido pela outra galera.
            Hoje, o funk já considerado parte da cultura carioca e os temas são bastante variados, mas o que chama a atenção são as canções que vulgarizam e banalizam a questão sexual, principalmente quando se trata das mulheres. Isso passou a ser tão questionado que Marcelo Adnet, junto de outros comediantes, transformou as letras de alguns funks, satirizando-os a partir de elementos culturais como nomes de escritores de todos os tempos.
           
Gaiola das Cabeçudas – Marcelo Adnet – “Comédia MTV”:

4 comentários:

  1. O filme "Tropa de Elite" demonstra uma realidade pouco mostrada pela mídia: o estado de guerra civil existente nas favelas. Embora isso seja negado por autoridades, o Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais são violentas, principalmente nas suas favelas. As letras dos funks mostram isso, e mostra que lá tem todo tipo de gente, tanto trabalhadores quanto traficantes.

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  2. Porém, você não acha prejudicional que seja mostrado apenas esse lado problemático das cidades? Afinal, sabemos que noticiários, seriados e novelas tentam mostrar, mesmo que os dois últimos de maneira ficcional, essa realidade violenta com a qual temos que conviver diariamente.

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  3. Eu assisti os dois filmes do Tropa de Elite, o segundo que saiu agora é bem mais forte que o primeiro, o filme mostra a realidade em que vivemos e é muito triste e cruel. É dificil acreditar que no nosso país, onde deveria haver paz e harmonia, ocorre as coisas que aparecem no filme e no dia-a-dia que vemos nos noticiários.
    Uma cidade como Rio de Janeiro, uma cidade maravilhosa, que tem lindas praias, é um lugar perigoso, onde se está sujeito a morrer com balas perdidas ou um assalto, etc... Espero que um dia tudo isso mude...

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  4. O maior problema não é mostrar o lado problemático das cidades: é não mostrá-lo. Temos bastante informação sobre o lado bom de uma cidade como o Rio de Janeiro, mas nem tanta sobre o lado ruim. Se o lado problemático não for mostrado, este não poderá ser corrigido.

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