O calor nordestino, as relações sociais, a religião, a fome e a miséria fazem parte do cenário e da vida dos personagens que estão na obra de Ariano Suassuna, “Auto da Compadecida”, a qual ganhou versão cinematográfica em 2000. Além de personagens marcantes – como João Grilo e Chicó – o que nos chama a atenção é o cenário que lemos/vemos nas duas obras.
Dependendo do gênero literário, o cenário pode se apresentar de distintas maneiras ao leitor/espectador. É desse modo que vamos pensar como o cenário aparece na peça teatral Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, e na sua versão cinematográfica.
Considerando a peça, o cenário pode ser percebido de duas formas: a) quando encenado, ele é formado pelas falas dos personagens, as quais constroem a “história” da peça; e pela “decoração” do palco; e b) tratado como texto, a sua percepção se dá também pelas falas dos personagens, as quais expõem os seus dramas; e pelas direções de palco (rubrica), tudo isso é representado por meio da linguagem. Quem articula boa parte desse cenário, tanto na encenação quanto no texto escrito, é o personagem palhaço, uma espécie de “narrador”. Neste caso, é no momento da leitura que o leitor vai construindo na sua imaginação o provável cenário da história.
Na linguagem cinematográfica, o cenário se dá através da junção do espaço com as falas dos personagens em ação, enfim, as imagens. Nesta linguagem, o cenário é mais facilmente apreendido, pois se forma justamente a partir das cenas em que o espaço é constituído pelas aparições da igreja, da padaria, da casa do padeiro, da delegacia e da fazenda, cenários devidamente forjados.
Além disso, como o cinema requer outra linguagem, é necessária uma adaptação, e com ela, temos a criação de personagens que não existem na peça: o Cabo Setenta, o Valentão e a Rosinha (filha do Major Antonio de Moraes, na peça não se trata de filha e sim de filho). É justamente dessa adaptação do texto original que surgem cenários também distintos dos da peça.
Em suma, propomos que o cenário pode ser apreendido de diferentes maneiras dependendo do gênero literário, seja ele cinematográfico ou textual.
Parla
Bibliografia:
ROSENFELD, Anatol. O teatro épico. Rio de Janeiro: Editora Coleção Buriti, 1965.
SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora Agir, 1990.
ARRAES, Guel. O Auto da Compadecida. Globo Filmes, 2000.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
As adaptações sempre são fiéis?
Não são raras as adaptações de livros para cinema. Geralmente bons livros acabam mesmo tendo uma versão para cinema, afinal já têm um histórico de sucesso, o que facilita, muitas vezes, a aceitação do filme pelo público. O nome de um bom livro por trás do filme acaba fazendo muita diferença. Mas é necessário saber fazer a adaptação, para que não se perca a qualidade encontrada no enredo original.
Anjos e Demônios é um livro de Dan Brown que foi adaptado para o cinema, protagonizado pelo personagem Robert Langdon, interpretado por Tom Hanks, um professor de simbologia na universidade de Harvard. A história é sobre o assassinato de um padre católico e físico do CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), Leonardo Vetra, que pesquisava sobre antimatéria. Esta tem um alto poder destrutivo, uma amostra de 250 miligramas pode aniquilar um raio de 9 quarteirões. Robert é chamado para investigar o caso pelo diretor do CERN, já que, antes de ser morto, Leonardo fora marcado com um ambigrama da palavra Illuminati. Os Illuminati eram uma organização anti-religiosa que havia sido extinta há séculos. O representante desta organização avisa que matará 4 cardeais (fato agravado por ser o dia do conclave), todos marcados a fogo, uma a cada hora, a partir das 7 da noite. E que a antimatéria acabará com a cidade do Vaticano exatamente à meia-noite. Para ajudar Robert, entra em cena Vittoria Vetra, filha adotiva de Leonardo, que está acabada com a morte do pai, mas, apesar disso, se mostra uma mulher forte. Os dois saem em direção ao Vaticano, tentando impedir a sua destruição.
Mas no filme muita coisa muda. Para começar, no filme o diretor do CERN nem sequer é citado, enquanto no livro é um dos personagens que dão maior suspense à história. No livro, o diretor é o primeiro a ver o corpo de Leonardo, enquanto no filme a primeira a saber do fato é Vittoria. Vittoria é retratda com muito pouca fidelidade no filme quando o quesito é personalidade, no livro ela se mostra com muito mais atitude, desejo de vingança pela morte do pai, enquanto no filme ela se mostra quase indiferente. Outro detalhe importante, e que faz uma diferença enorme especialmente para quem gosta de acompanhar sequências, é o tempo em relação ao livro seguinte, O Código da Vinci: nos livros, O Código da Vinci ocorreu aproximadamente um ano depois de Anjos e Demônios, enquanto nos filmes ele vem antes. Esta é uma das maiores falhas da adaptação, já que isso altera fatores como a experiência de Robert em casos como o ocorrido, já que no segundo livro ocorre uma fato parecido. Inclusive, no livro O Código da Vinci, há referências do ocorrido no Vaticano e a Vittoria. Outro detalhe é o envolvimento de Robert com Vittoria: no filme ele não demonstra afetividade alguma com ela, e no livro os dois terminam fazendo planos românticos para quando se encontrarem novamente.
A fidelidade ao enredo original em um filme é importantíssima, é o que dá credibilidade ao filme. Infelizmente, nisto a adaptação de Anjos e demônios peca. Mas, para quem gosta de filmes menos melosos, mais secos, até que é interessante. A versão mostra mais o lado de suspense do livro. As cenas dos assassinatos são realmente de assustar.
Para quem gosta mais de adaptações fiéis, uma boa dica é primeiro ler o livro e depois assistir ao filme: acaba possibilitando uma visão mais crítica de ambos os lados. Isso vale não somente para Anjos e Demônios, mas também para a maioria das adaptações.
Anjos e Demônios é um livro de Dan Brown que foi adaptado para o cinema, protagonizado pelo personagem Robert Langdon, interpretado por Tom Hanks, um professor de simbologia na universidade de Harvard. A história é sobre o assassinato de um padre católico e físico do CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), Leonardo Vetra, que pesquisava sobre antimatéria. Esta tem um alto poder destrutivo, uma amostra de 250 miligramas pode aniquilar um raio de 9 quarteirões. Robert é chamado para investigar o caso pelo diretor do CERN, já que, antes de ser morto, Leonardo fora marcado com um ambigrama da palavra Illuminati. Os Illuminati eram uma organização anti-religiosa que havia sido extinta há séculos. O representante desta organização avisa que matará 4 cardeais (fato agravado por ser o dia do conclave), todos marcados a fogo, uma a cada hora, a partir das 7 da noite. E que a antimatéria acabará com a cidade do Vaticano exatamente à meia-noite. Para ajudar Robert, entra em cena Vittoria Vetra, filha adotiva de Leonardo, que está acabada com a morte do pai, mas, apesar disso, se mostra uma mulher forte. Os dois saem em direção ao Vaticano, tentando impedir a sua destruição.
Mas no filme muita coisa muda. Para começar, no filme o diretor do CERN nem sequer é citado, enquanto no livro é um dos personagens que dão maior suspense à história. No livro, o diretor é o primeiro a ver o corpo de Leonardo, enquanto no filme a primeira a saber do fato é Vittoria. Vittoria é retratda com muito pouca fidelidade no filme quando o quesito é personalidade, no livro ela se mostra com muito mais atitude, desejo de vingança pela morte do pai, enquanto no filme ela se mostra quase indiferente. Outro detalhe importante, e que faz uma diferença enorme especialmente para quem gosta de acompanhar sequências, é o tempo em relação ao livro seguinte, O Código da Vinci: nos livros, O Código da Vinci ocorreu aproximadamente um ano depois de Anjos e Demônios, enquanto nos filmes ele vem antes. Esta é uma das maiores falhas da adaptação, já que isso altera fatores como a experiência de Robert em casos como o ocorrido, já que no segundo livro ocorre uma fato parecido. Inclusive, no livro O Código da Vinci, há referências do ocorrido no Vaticano e a Vittoria. Outro detalhe é o envolvimento de Robert com Vittoria: no filme ele não demonstra afetividade alguma com ela, e no livro os dois terminam fazendo planos românticos para quando se encontrarem novamente.
A fidelidade ao enredo original em um filme é importantíssima, é o que dá credibilidade ao filme. Infelizmente, nisto a adaptação de Anjos e demônios peca. Mas, para quem gosta de filmes menos melosos, mais secos, até que é interessante. A versão mostra mais o lado de suspense do livro. As cenas dos assassinatos são realmente de assustar.
Para quem gosta mais de adaptações fiéis, uma boa dica é primeiro ler o livro e depois assistir ao filme: acaba possibilitando uma visão mais crítica de ambos os lados. Isso vale não somente para Anjos e Demônios, mas também para a maioria das adaptações.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Adaptações Literárias para os Cinemas
Percebemos que ao longo dos anos a adaptação para o cinema se tornou mais forte.Uma adaptação literária nada mais é do que a retratação da história de um livro nas formas técnicas do cinema.
Quando fazemos uma leitura e depois assistimos no cinema sua adaptação, sentimos a falta de maiores detalhes que há no livro e não se mostra no filme. Porém, a razão disso é que o autor do livro nos dá uma informação, e cada um imagina na forma que quiser, no filme o roteirista tem que tomar as decisões de qual objetos usar, qual as cores etc, fazendo assim o trabalho do leitor.
Nos dias atuais encontramos muitas obras adaptadas que fazem sucesso, inclusive entre os jovens, como é o caso da saga “Crepúsculo”. A febre pelos vampiros se tornou tão grande que os livros são um dos best-sellers mais vendidos em vários países.
Ganhou destaque também nas salas dos cinemas do país o filme “Comer Rezar Amar”, uma adaptação do livro de mesmo título da autora Elizabeth Gilbert.O livro conta a história de uma mulher que viaja a vários países em busca de autoconhecimento após seu divórcio. Uma das curiosidades do enredo é que retrata a história da própria autora, um dos personagens reais é brasileiro e na vida real eles são casados.
Não se pode deixar de citar um dos maiores autores de romance adaptado cinematograficamente, Nicholas Sparks. Um autor muito emotivo, seus livros e filmes são aqueles que te faz chorar e sempre são um sucesso. Dentre eles estão: O Diário de uma paixão, Um amor para recordar, Noites de Tormenta, Querido John, A última música.
Não importa o gênero, o autor, cada um tem um gosto particular,cinema e literatura andam juntos.O mais importante é que a leitura esteja na rotina das pessoas, pois a cultura é crucial para a formação de um ser humano
Quando fazemos uma leitura e depois assistimos no cinema sua adaptação, sentimos a falta de maiores detalhes que há no livro e não se mostra no filme. Porém, a razão disso é que o autor do livro nos dá uma informação, e cada um imagina na forma que quiser, no filme o roteirista tem que tomar as decisões de qual objetos usar, qual as cores etc, fazendo assim o trabalho do leitor.
Nos dias atuais encontramos muitas obras adaptadas que fazem sucesso, inclusive entre os jovens, como é o caso da saga “Crepúsculo”. A febre pelos vampiros se tornou tão grande que os livros são um dos best-sellers mais vendidos em vários países.
Ganhou destaque também nas salas dos cinemas do país o filme “Comer Rezar Amar”, uma adaptação do livro de mesmo título da autora Elizabeth Gilbert.O livro conta a história de uma mulher que viaja a vários países em busca de autoconhecimento após seu divórcio. Uma das curiosidades do enredo é que retrata a história da própria autora, um dos personagens reais é brasileiro e na vida real eles são casados.
Não se pode deixar de citar um dos maiores autores de romance adaptado cinematograficamente, Nicholas Sparks. Um autor muito emotivo, seus livros e filmes são aqueles que te faz chorar e sempre são um sucesso. Dentre eles estão: O Diário de uma paixão, Um amor para recordar, Noites de Tormenta, Querido John, A última música.
Não importa o gênero, o autor, cada um tem um gosto particular,cinema e literatura andam juntos.O mais importante é que a leitura esteja na rotina das pessoas, pois a cultura é crucial para a formação de um ser humano
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