quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Música e comportamento

Música é algo presente em todas as línguas de todos os lugares da Terra. Porém, ela não é igual. Os ritmos, os instrumentos, tudo muda de acordo com a cultura. Mas será que os ritmos não ultrapassam as fronteiras físicas de seus países? Com certeza ultrapassam, ou não teríamos escutado uma única música de rock até hoje. A diversidade de tipos musicais faz com que não haja um padrão único de gosto, mas sim uma variedade. Não somos obrigados a gostar de determinado estilo, e ninguém tenta, pelo menos geralmente, nos fazer mudar de idéia. Somos habituados com a diversidade, e aprendemos a conviver com músicas que não gostamos (pessoalmente, por exemplo, não gosto de pagode, no entanto não impeço que as pessoas escutem).

Mas por que nos identificamos com algumas músicas e não com outras, que por vezes tratam do mesmo assunto? A diferença é a forma de abordagem do tema. Há quem prefira uma forma de abordagem mais seca, outros preferem a abordagem mais romântica possível. Isso pode vir desde a criação, do “berço”, como ser adquirido, mas nada impede que se goste de diversos gêneros simultaneamente. Pode-se gostar de pop, rock, eletro, black e rap, tudo de uma vez, sendo que algumas músicas gostamos desde crianças, outras aprendemos a gostar depois de certa idade. Isso é possibilitado inclusive porque a música é internacionalizada, os cantores mais famosos no mundo cantam em inglês por ser uma língua usada como linguagem internacional, uma língua que a maioria dos países ensina nas próprias escolas ou que adota como língua padrão, tornando a música acessível e compreensível por um público muito abrangente.

O que pode fazer com que uma música mantenha sua letra mas altere seu estilo? O ritmo com que ela é tocada. Um ritmo mais rápido pode agradar mais aos jovens, enquanto um mais lento pode agradar aos mais velhos. Um exemplo disso é o sertanejo universitário, que continua sendo o sertanejo tocado há vinte anos atrás, mas com abordagem e ritmo mais jovens do que os primeiros. Mas, se formos avaliar mais profundamente, veremos que é a mesma temática abordada, mas com uma linguagem mais moderna, um jeito mais jovem.

Portanto, a época em que uma música é feita também pode influenciar na sua aceitação. Vejamos de um ponto de vista radical: será que um funk poderia ser tocado na época da ditadura? E será que sua temática seria adequada àquela época? Provavelmente não. Nessa época a censura barrava mesmo temáticas inocentes. Portanto, o funk ter começado em uma época mais liberal influenciou, e muito, mas sua aceitação. E, como naquela época a oferta de ritmos era diferente da de hoje, aprendia-se a gostar do que estava disponível. E talvez isso tenha feito a geração de nossos pais serem como são: pela própria influência da música.

5 comentários:

  1. o texto traz muitas questões interessantes, vou aproveitar uma delas: no final do texto vc menciona a ditadura militar e a influencia que ela teve sobre a divulgação musical na época.

    o funk, por exemplo, pode, sim, ter sido tocado durante a ditadura militar (nesse momento valeria a pena uma pesquisa sobre o genero musical, talvez) mas com certeza não tinha a mesma divulgação e projeção que tem hoje.

    por outro lado acho que vale a pena citar alguns artistas que elaboraram letras de música aparentemente "inocentes", ou seja, que aparentemente se enquadravam nas exigencias da ditadura (e da censura), porém nas entrelinhas faziam (e ainda fzem) críticas aquela forma política. um exemplo famoso disso é a música "cálice", de Chico Buarque... vc já ouviu falar alguma coisa a respeito?
    enfim, tem inumeros outros exemplos...

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  2. A música reflete a realidade de cada classe da sociedade!Por exemplo o funk,a maioria das suas letras mostra como vivem as pessoas nas favelas, suas dificuldades e visão do mundo.

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  3. Há diversas músicas que foram barradas pela censura, muitas com detalhes nas entrelinhas, mas a temática do funk não era o "foco" das composições da época.

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  4. Quando o assunto é música todo mundo gosta de comentar!!
    Bom, eu percebi que você pensou bastante nas músicas com letras... mas e as que são instrumentais? Sabe, clássicas ou não (algumas são feitas para filmes e jogos, por exemplo) elas mexem com os sentimentos, mas será que da mesma forma que as outras?

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  5. No caso dos jpgos, geralmente são músicas feitas para serem encaixadas no contexto. Já as intrumentais, são feitas para tocar, transmitir sua mensagem, pelo seu ritmo.

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