quarta-feira, 10 de novembro de 2010

As adaptações sempre são fiéis?

Não são raras as adaptações de livros para cinema. Geralmente bons livros acabam mesmo tendo uma versão para cinema, afinal já têm um histórico de sucesso, o que facilita, muitas vezes, a aceitação do filme pelo público. O nome de um bom livro por trás do filme acaba fazendo muita diferença. Mas é necessário saber fazer a adaptação, para que não se perca a qualidade encontrada no enredo original.
Anjos e Demônios é um livro de Dan Brown que foi adaptado para o cinema, protagonizado pelo personagem Robert Langdon, interpretado por Tom Hanks, um professor de simbologia na universidade de Harvard. A história é sobre o assassinato de um padre católico e físico do CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear), Leonardo Vetra, que pesquisava sobre antimatéria. Esta tem um alto poder destrutivo, uma amostra de 250 miligramas pode aniquilar um raio de 9 quarteirões. Robert é chamado para investigar o caso pelo diretor do CERN, já que, antes de ser morto, Leonardo fora marcado com um ambigrama da palavra Illuminati. Os Illuminati eram uma organização anti-religiosa que havia sido extinta há séculos. O representante desta organização avisa que matará 4 cardeais (fato agravado por ser o dia do conclave), todos marcados a fogo, uma a cada hora, a partir das 7 da noite. E que a antimatéria acabará com a cidade do Vaticano exatamente à meia-noite. Para ajudar Robert, entra em cena Vittoria Vetra, filha adotiva de Leonardo, que está acabada com a morte do pai, mas, apesar disso, se mostra uma mulher forte. Os dois saem em direção ao Vaticano, tentando impedir a sua destruição.
Mas no filme muita coisa muda. Para começar, no filme o diretor do CERN nem sequer é citado, enquanto no livro é um dos personagens que dão maior suspense à história. No livro, o diretor é o primeiro a ver o corpo de Leonardo, enquanto no filme a primeira a saber do fato é Vittoria. Vittoria é retratda com muito pouca fidelidade no filme quando o quesito é personalidade, no livro ela se mostra com muito mais atitude, desejo de vingança pela morte do pai, enquanto no filme ela se mostra quase indiferente. Outro detalhe importante, e que faz uma diferença enorme especialmente para quem gosta de acompanhar sequências, é o tempo em relação ao livro seguinte, O Código da Vinci: nos livros, O Código da Vinci ocorreu aproximadamente um ano depois de Anjos e Demônios, enquanto nos filmes ele vem antes. Esta é uma das maiores falhas da adaptação, já que isso altera fatores como a experiência de Robert em casos como o ocorrido, já que no segundo livro ocorre uma fato parecido. Inclusive, no livro O Código da Vinci, há referências do ocorrido no Vaticano e a Vittoria. Outro detalhe é o envolvimento de Robert com Vittoria: no filme ele não demonstra afetividade alguma com ela, e no livro os dois terminam fazendo planos românticos para quando se encontrarem novamente.
A fidelidade ao enredo original em um filme é importantíssima, é o que dá credibilidade ao filme. Infelizmente, nisto a adaptação de Anjos e demônios peca. Mas, para quem gosta de filmes menos melosos, mais secos, até que é interessante. A versão mostra mais o lado de suspense do livro. As cenas dos assassinatos são realmente de assustar.
Para quem gosta mais de adaptações fiéis, uma boa dica é primeiro ler o livro e depois assistir ao filme: acaba possibilitando uma visão mais crítica de ambos os lados. Isso vale não somente para Anjos e Demônios, mas também para a maioria das adaptações.

3 comentários:

  1. No meu caso como eu não li os livros as histórias ficaram um pouco vagas. Uma adaptação com maiores detalhes chama mais a atenção!

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  2. Eu adoro os livros do Dan Brown, ja os filmes q foram adaptados das obras, eu assisti, mas mal prestei atenção. O livro contém muitoos detalhes, e já era de se esperar que boa parte deles fossem perdidos na adaptação, e eu não quis me decepcionar demais. kkkkkk As adaptações de livros para o cinema sempre perdem muitos detalhes, o q as vezes, torna o filme desinteressante para quem já leu o livro. E como a Lais disse, algumas partes ficam mal explicadas nos filmes, por falta de detalhes importantes contidos no livros.

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  3. Oláa não li o livro mas gostei do filme então não posso traçar considerações sobre os dois!
    Muito bom seu texto, concordo que é bom ler o livro antes para sacar quais foram as adaptações e mudanças... Alguém já viu ensaio sobre a cegueira? É adaptação do livro de josé saramago feita pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles. O filme é muito bom e ele fez um blog contando como foi difícil adaptar o livro para o cinema:
    http://blogdeblindness.blogspot.com/
    Imaginem, como passar o sentimento do livro sobre uma cegueira que é branca...quem assistir o filme verá muitas cenas de telas completamente brancas entre um quadro e outro...
    Uma boa análise dessa relação sobre o filme e o livro vcs podem encontrar em:
    http://www.escrevercinema.com/Crer_para_ver.htm
    Bjs

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